Pará colhe safra recorde de açaí e reforça papel do Baixo Tocantins na cadeia do fruto
A colheita de 2026 supera a do ano anterior na região, mas produtores enfrentam gargalo no transporte fluvial até os polos de beneficiamento.

A colheita de açaí no Baixo Tocantins registra nesta safra o maior volume dos últimos cinco anos, segundo produtores dos municípios de Igarapé-Miri, Abaetetuba e Cametá, um dos principais polos da fruta no Pará. A safra, concentrada entre agosto e outubro, movimenta ribeirinhos, batedores de açaí e embarcações que abastecem os pontos de beneficiamento ao longo do rio Tocantins.
A associação de produtores da região estima alta de cerca de 15% na quantidade colhida em comparação com o ano anterior, puxada por um período de cheia favorável e pela ampliação da área de manejo em várzeas. Parte da produção segue para consumo nos municípios vizinhos, e outra parte é escoada para os frigoríficos de Belém, de onde é distribuída para o restante do país.
O gargalo do transporte fluvial
O transporte é o principal entrave da cadeia. Embarcações pequenas concentram a coleta nas comunidades ribeirinhas do Marajó e do Baixo Tocantins, e a variação do nível dos rios na virada da estação atrasa viagens e eleva o custo do frete fluvial pago pelos batedores. Produtores também relatam falta de câmaras frias em trechos mais distantes da rota, o que reduz a janela para vender o fruto fresco antes que perca qualidade.
A secretaria estadual de Agricultura afirma que estuda linhas de crédito para embarcações refrigeradas e pequenas unidades de despolpamento em comunidades afastadas dos centros urbanos, como forma de reduzir a dependência do transporte até Belém. A proposta ainda depende de aprovação orçamentária e deve ser detalhada nas próximas semanas.
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